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Residência Serra da Estrela com o café, no rés-do-chão
A Caixa de Crédito Agrícola em 2009
Actual localização do Café Residência, em frente à Câmara Municipal
Para a inauguração da nova sede da Caixa de Crédito de Seia, foi elaborado um folheto com a capa e o texto seguintes:
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“E então chegam as personagens. Vão e voltam, atravessam os quadros, saem de um para regressar noutro, passeiam através deles.” TEOLINDA GERSÃO.
"FRAGMENTOS DE PEQUENOS GRANDES ROMANCES
O ponto de partida foi o desafio de captar, através de formas e cores, o ambiente de um local público com características próprias: um café. Não o seu espaço físico, representação técnica e simbólica de volumes, hiper-realismo de superfícies, luzes e sombras, cor ambiente. Chegou-se assim à fixação de um espaço volátil, com contrastes de luz, de cheios e de vazios, repleto de presenças e de ausências. Com breves mas assíduas aberturas para o exterior, com outra luz e outras cores. Vazios dentro de vazios.
Um café não tem residentes como um escritório. Gente entra e sai, muita dela anónima, trazendo e levando expressões, conversas, gestos, silêncios, risos, amarguras. São figuras abstractas, algumas sem nexo, outras em busca do seu lugar no mundo. Entram, pairam, saem, num ritmo incerto, seres sociais dissociados do relógio da natureza. No quadro, só poderiam
Inspirar uma figuração abstractizante, em que os corpos e os rostos se diluem no cenário como se dele fizessem parte num instante qualquer da sua distraída passagem pelo café.
Assim, as seis telas que compõem o painel, a última propositadamente afastada do conjunto principal, compõem três dípticos: o da entrada (telas 1 e 2), o interior (telas 3 e 4), a saída e o exterior (telas 5 e 6). Esta sequência propõe um ritmo quase cinematográfico, uma espécie de “travelling” rápido que apenas capta silhuetas, particularidades sumárias, cores. O último quadro tem como centro o pôr-do-sol, o ocaso de um espaço público que foi local de referência e ponto de encontro de uma boa parte da sociedade senense. Porém, a coexistência das imagens – tal como acontece na Banda Desenhada – permitem a re-visão/re-visitação, convidando à interpretação psicológica das figuras sugeridas pela sua postura, cores mais quentes ou mais frias, dinamismo, transparência, jogos de planos. Cada uma das figuras pode, afinal, sugerirnos pedaços de pequenos grandes romances. E neste ambiente abstracto de um café desaparecido, todas estarão agora condenadas a permanecer, com o seu estranho halo de fantasmas simpáticos." SÉRGIO REIS.

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